Sexta-feira, Maio 16, 2008


foto © Daniel Herrera

Olhas-me
e as palavras multiplicam-se nas palmas das minhas mãos...


Dímitra Mandá

Quinta-feira, Maio 15, 2008


foto © Elena Retfalvi

... Os dedos com que me tocou
persistem sob a pele, onde a memória os move...


Luís Miguel Nava

Quarta-feira, Maio 14, 2008


foto © Ola Sudarcka

Não sei quanto tempo ficarei aqui, junto a
esta janela.
...
Nunca mais te vi.

Junto a esta janela,
penso ... nos cabos do medo.
...

Está sempre frio aqui,...


José Agostinho Baptista

Terça-feira, Maio 13, 2008


foto © Vernon Trent

... A um nome se reduz
esta ânsia de ser
presença viva do meu gesto outrora

Eu não sei de outro nome para a ternura.


Amélia Pais

Segunda-feira, Maio 12, 2008


foto © Rafal Kay

não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
...
é outra
outra a dor que dói


Ana Cristina César

Domingo, Maio 11, 2008


foto © Elisa Lazo de Valdez

... Indaguei ninguém sabia teu nome
...
Ninguém vira alguém assim...
... e nada sabiam
de ti...
Existes ó ausente ou és somente quem buscamos
numa realidade arisca e improvável?


Dora Ferreira da Silva, via A dispersa palavra

Sábado, Maio 10, 2008


foto © Szara Reneta

tu boz sta escura
di bezus qui a mí no dieras/
di bezus qui a mí no das/...


tua voz está escura
de beijos que me não deste/
de beijos que me não dás/...


Juan Gelman, Dibaxu (debaixo), trad. do sefardita por Andityas Soares de Moura

Sexta-feira, Maio 09, 2008


foto © Vernon Trent

... se te lembras...
... dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.


Hilda Hist

Quinta-feira, Maio 08, 2008


foto © Vernon Trent

Como hei-de saber o que desejo,
Se tudo o que não tenho me apetece?...


Miguel Torga

Quarta-feira, Maio 07, 2008


foto © Vernon Trent

... deito-me com ela...
... diz-me: «Quero perder-me
numa encruzilhada de abraços; afogar-me
num poço de gemidos; esquecer-me de mim
no fundo da tua memória.» Deixo-a
entregue a si própria; e pergunto o que fazer
do calor dos seus lábios, da ânsia
que os seus dedos soltam, do tempo
que estremece no seu corpo?


Nuno Júdice

Terça-feira, Maio 06, 2008


foto © Valery Anzilov

... Enquanto penetrantemente te espero a luz coalhou. Os pássaros coalharam enquanto te espero. O leite enquanto te espero coalhou. Haverá outro verbo?
Submersa, muito distante de qualquer inferno de um paraíso qualquer existo eu. Existirão tais palavras?...


Luisa Neto Jorge